Marrocos bate marca inédita na Copa com time formado pela diáspora
Seleção africana teve 11 jogadores nascidos fora do país em campo no empate com o Brasil e reforça projeto de captação iniciado há mais de uma década.

O empate por 1 a 1 com o Brasil deixou para Marrocos uma marca que vai além do resultado da estreia na Copa do Mundo. Segundo o ge, a seleção africana se tornou a primeira equipe da história do torneio a ter 11 jogadores nascidos fora do país em campo na mesma partida.
O dado apareceu no segundo tempo, quando Ounahi, nascido em Casablanca, deixou o jogo. A partir dali, Marrocos passou a atuar apenas com atletas nascidos em outros países, todos com ascendência marroquina. A lista inclui jogadores vindos de cinco nações diferentes, em especial França, Espanha e Bélgica, centros importantes da diáspora do país no futebol europeu.
Projeto virou força competitiva
A base dessa seleção não surgiu por acaso. A Real Federação Marroquina de Futebol mantém há cerca de 15 anos uma rede de observação para mapear atletas com origem marroquina formados fora do país. A estratégia ganhou força dentro de um projeto ligado ao Rei Mohammed VI, que também impulsionou a criação de centros de formação no Marrocos.
O elenco atual mostra o tamanho desse trabalho. Dos 26 convocados, 19 nasceram fora do Marrocos. Três deles estrearam pela seleção principal em 2026: Issa Diop, Salah-Eddine e Ayyoub Bouaddi. Bouaddi, inclusive, já havia defendido seleções de base da França antes de escolher o país de sua família.
A aposta ajuda a explicar por que Marrocos complicou tanto a estreia do Brasil na Copa. A equipe não depende só de organização defensiva: ela juntou jogadores formados em ligas fortes, acostumados a alto nível de competição e já adaptados ao futebol europeu.
Escolha de identidade e de carreira
O movimento também passa por decisão pessoal. O ge cita levantamento da Universidade de Oxford segundo o qual, nos últimos dez anos, Marrocos teve 61 jogadores nascidos em outros países; 28 deles trocaram de seleção. Não se trata apenas de buscar espaço onde seria mais fácil jogar. Em muitos casos, Marrocos chegou antes e ofereceu um projeto esportivo sólido.
Hakimi, Amrabat e Mazraoui estão entre os exemplos mais conhecidos desse processo, iniciado com força no ciclo de Hervé Renard. A geração levou o país ao quarto lugar da Copa de 2022 e agora chega a 2026 com outro sinal de maturidade: contra o Brasil, o time fez história usando justamente a ponte entre formação europeia e pertencimento marroquino.
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